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sexta-feira, 19 de março de 2010

O que ter e o que não ter?

Ter é fundamental, essencial e imprescindível. Mergulhados em um mundo de consumo e materialismo, nos vemos diante da perplexidade do que nos aconteceu. Como foi que construímos esse mundo? De onde vem essa realidade?

Um mundo onde o poder é medido pela capacidade aquisitiva; onde o entretenimento e a celebração acontecem em shoppings; onde os sonhos se traduzem em consumo; onde os sentidos e tendências partem do mercado. Como foi que o mundo ficou assim?
Sou daquelas que não acredita em processos causados por mera ignorância. Penso que responsabilizar a ignorância é uma forma de evitar defrontar-nos com outras "inteligências". Há uma lógica, uma verdade, que permeia essa realidade independente da moral de ser ela positiva ou negativa, construtiva ou destrutiva.
A própria existência é, por definição, a posse de um corpo. Ser é ter e o ser se inicia com uma posse. As escolhas da vida terão sempre a forma de uma posse, mas a verdadeira posse se configura não apenas daquilo que temos, mas também e de igual importância, daquilo que não temos. Este é o dilema constante da posse: o que ter e o que não ter!
Nossa existência se manifesta pelas coisas que temos e também por aquelas que não temos, por aquelas que queremos possuir e aquelas que deliberadamente decidimos não ter. Esta é a verdadeira questão humana: o que ter e o que não ter?
Nosso ser e nossa história serão sempre trajetórias de posses: das coisas que possuímos e não possuímos; das pessoas que possuímos e não possuímos; daquilo que fazemos nosso destino e daquilo que não fazemos. Viver é a decisão entre ter ou não ter relativo a coisas, aos outros e a si.
O mal não é "ter", mas a ausência do dilema de possuir ou não. Se a posse se faz apenas numa única direção, ou seja, a de reter e deter as coisas para si, de monopolizar o que é dispensável ao ser, então ela tem um impacto desastroso sobre a existência. Ter nunca é dispensável. Ter não poderá jamais ser um estado mental ou abstrato dissociado do imperativo de uma carência, e esse é o início de nossas desventuras, ou seja, quando o ser e o ter, em vez de corresponderem a duas faces de uma mesma moeda, se tornam um a antítese do outro.
Justamente por sermos mortais, finitos e esgotáveis é que experimentamos o senso de existência. Essas características, portanto, não são limitações para a existência, mas a própria essência de sua manifestação. Ser é precisar ter, mas, para tal, o ter tem que se conformar à circunscrição do ser. É em seu cabimento e em sua justeza que o ter se dissolve na experiência do ser.
O ter abstrato, sob a forma de um privilégio que se adianta a uma carência, é a tragédia produzida pela tentativa de evadir-se da fundamental e inevitável deliberação sobre o "ter ou não ter".
Toda vez que o "ter" for originado numa necessidade, se fará instrumento e nutriente do "ser", ou seja, reforçará a medida e a limitação que configuram nossa experiência de "ser". Toda vez que o "ter" se apropriar de algo que foge à limitação real do "ser", que prescindir de uma necessidade real que o justifique, diminuirá o tônus e tornará flácida a experiência do "ser".
O "Ter" é, e sempre será, questão essencial da existência. "Ser" é, e sempre será, questão relativa à matéria. A tarefa desta reflexão é mergulhar no emaranhado de experiências e manifestações humanas que tornou a relação com a posse tão complexa, ou melhor, a tornou uma "questão".

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